Um dos sintomas mais freqüentes apresentados por
homossexuais que buscam ajuda é a depressão. Em diferentes graus e formas de
manifestação, sentimentos de menos valia, desânimo e falta de apetite pela vida
estão habitualmente presentes nas queixas desses pacientes.
Ainda que não haja diferenças estatísticas
significativas na prevalência da depressão entre hétero e homossexuais, estudos
clínicos demonstram haver algumas especificidades na gênese do quadro
depressivo entre homossexuais.
Considerando-se que as causas conhecidas da
depressão envolvem fatores biológicos, psicológicos e ambientais, o que se tem
notado, como observam os psicólogos americanos Marny Hall e Kimeron Hardin,
especializados no tratamento da depressão em homossexuais, é que no caso dos
homossexuais o fator ambiental tende a desempenhar um papel desproporcional
nessa equação.
Expostos a uma sociedade heterocentrada e
homofóbica, desde cedo percebemos o estigma social vinculado a nossa orientação
sexual e rapidamente desenvolvemos mecanismos internos de repressão e
sublimação de nossos sentimentos. Ao mesmo tempo, como forma de evitar a
rejeição de quem amamos e a discriminação social, aprendemos a disfarçar nossos
impulsos, a controlar comportamentos e atitudes e a evitar quaisquer sinais que
possam nos comprometer. Como resultado desse processo interno e externo,
acabamos prejudicando seriamente nossa auto-estima e nos tornando defensivos,
introspectivos e distantes emocionalmente.
É comum na adolescência, quando esses conflitos
normalmente se acirram, o aprofundamento de sentimentos de solidão e desespero
e o surgimento de fantasias (e até mesmo tentativas) de suicídio. É nessa fase
também que muitos passam a consumir álcool e drogas como forma de aliviar o
sofrimento.
Durante a vida adulta, pressões familiares,
sociais e profissionais continuam a exercer um papel importante em nosso
bem-estar psíquico e emocional e, dependendo do nosso grau de auto-aceitação e
de visibilidade social, passam a ser fator determinante na manifestação ou na
recorrência da depressão.
Assim, desencadeada inicialmente pela homofobia
real e depois internalizada, a depressão em homossexuais adquire também
dimensões biológicas e psicológicas, e seu tratamento psicológico requer
atenção especial nessa dinâmica de desenvolvimento. De acordo com Marny Hall e
Kimeron Hardin, são dois os estágios desse tratamento (ao qual muitas vezes
deve-se associar o uso de medicamentos).
No primeiro estágio, o terapeuta ajuda o paciente
a compreender que papel a homofobia a que foi exposto, principalmente em seus
anos iniciais de vida, desempenha no desenvolvimento da depressão. Isso é feito
por meio de uma investigação cuidadosa de sua história de vida, com atenção
especial aos eventos marcantes da infância e da adolescência.
No segundo estágio, procura-se desenvolver
estratégias que auxiliem o paciente a evitar padrões de comportamento antigos
de autocensura e autodepreciação e a instalar novos padrões, mais positivos.
Estratégias bem-sucedidas envolvem com freqüência o estabelecimento de alianças
e de vínculos emocionais e afetivos com outros homossexuais e também a
ampliação da rede de suporte pessoal.
Entender, portanto, essa dinâmica complexa,
perceber os efeitos que ela causa em nosso bem-estar e aceitar a necessidade de
transformá-la pode ser o caminho mais sólido para erradicarmos a depressão de
nossa vida. Como igreja de Jesus Cristo, precisamos compreender os altos e
baixos na vida de um homossexual em processo de cura e libertação. O amor que
muitos deles não encontram na família e sociedade precisa ser refletido no Reino
de Deus, quando apascentá-los. Paciência para aconselhar, equilíbrio emocional
para compreender suas inconstâncias de animo, ansiedade, falta de domínio
próprio. O amor de Cristo em nós precisa ser derramado em outras vidas, para
nós alcançarmos as pessoas marginalizadas e taxadas com rejeição e
discriminação. Alcançar o coração dos perdidos e tocá-los com o amor do Pai é a
maior missão da igreja nessa terra.
A maior demanda no Brasil é de homens e mulheres
que tenham coragem de pagar o preço estipulado por Deus para a transformação da
sociedade. Não devemos achar que vamos fazer grandes milagres por nós mesmos.
Devemos crer que Ele é poderoso para nos usar e realizar feitos extraordinários
em nossa geração. Cremos que o Senhor dos exércitos nos convocou para essa
batalha e não podemos nos omitir, pois Ele nos pedirá contas, assim como fazia
com os profetas que se acovardavam e não denunciavam corajosamente os erros da
nação de Israel. Cremos, ainda, que a igreja do Senhor Jesus Cristo no Brasil
foi chamada para, com intrepidez, ousadia e amor, sarar esta terra.

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